Gestão de Facilities é chave para edifícios resilientes e sustentáveis
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Agência Tecere
O mercado global de Facility Management (FM) está em expansão acelerada — com projeção de crescimento superior a US$ 800 bilhões até 2030 —, mas essa oportunidade vem acompanhada de desafios estruturais profundos. O Global State of Facilities Management Report, da JLL, mostra que preparar o FM para o futuro exige equilibrar três dimensões interdependentes: resiliência operacional, desenvolvimento de talentos e sustentabilidade ambiental.
“Esses três eixos não podem ser tratados separadamente. Resiliência, talento e sustentabilidade são faces da mesma moeda, e todas dependem de um FM bem-estruturado, digital e estrategicamente integrado ao negócio”, explica Fatima Bottameli, diretora LatAm de Desenvolvimento de Soluções em Facilities e Manutenção da JLL.
No eixo da resiliência, a continuidade dos negócios em instalações críticas aparece no relatório como prioridade número um para 60% das organizações. Isso reflete a crescente dependência de infraestrutura física e digital para operações essenciais, principalmente em setores como tecnologia, saúde, indústria e serviços financeiros. Para mitigar riscos, líderes de FM estão investindo em modernização de ativos envelhecidos, planos de contingência de força de trabalho, proteção cibernética de sistemas prediais inteligentes e sistemas de energia com backup confiável.
A abordagem também se torna mais integrada: em vez de tratar riscos isoladamente, organizações estão conectando temas como segurança física, cibersegurança, confiabilidade energética e disponibilidade de mão de obra em uma única estratégia de gestão de riscos. “Isso eleva o FM de função operacional para parceiro estratégico na resiliência corporativa”, diz a executiva da JLL.
Paralelamente, o setor enfrenta uma crise de talentos. A escassez de profissionais qualificados, combinada com competição por talentos e altos custos de contratação, pressiona organizações a repensar suas estratégias de pessoas.
“Tecnologia é essencial, mas são as pessoas que fazem o sistema funcionar. Investir em talento é investir na qualidade, na segurança e na inovação das operações”, ressalta Bottameli.
O relatório mostra que 60% das empresas priorizam sucessão e transferência de conhecimento, 62% apostam em IA e automação para aumentar produtividade humana e 50% investem em treinamento cruzado para formar técnicos multidisciplinares. Há também maior uso de força de trabalho flexível, como especialistas contratados, para suprir lacunas pontuais.
FM é fundamental para a sustentabilidade dos edifícios
A sustentabilidade é o terceiro pilar do tripé do FM voltado para o futuro. Edifícios são responsáveis por cerca de 42% das emissões globais de carbono, e o FM tem papel decisivo na descarbonização do ambiente construído. Entre os líderes empresariais, 68% priorizam eficiência energética e gestão de recursos, com foco em otimização de sistemas de ar-condicionado (HVAC), iluminação e monitoramento contínuo de consumo.
Além disso, 56% das organizações colocam conformidade regulatória e reporte ESG como foco central de suas operações de FM, reforçando a necessidade de dados confiáveis, processos transparentes e alinhamento com expectativas de investidores e stakeholders.
“O Facilities Management do futuro será digital, resiliente, sustentável e centrado em pessoas. FM com visão de futuro é aquele que opera edifícios mais seguros, eficientes e sustentáveis, ao mesmo tempo em que desenvolve equipes capazes de lidar com um ambiente cada vez mais complexo e digital”, conclui a especialista da JLL.