Facilities Management evolui de centro custo para papel estratégico
Em meio a um ambiente de crescente volatilidade econômica, tensões geopolíticas e transformações tecnológicas aceleradas, o Facilities Management (FM) deixou de ser apenas operacional para se tornar uma função estratégica. O que antes era visto predominantemente como “manter o prédio funcionando” hoje é reconhecido como um pilar estratégico para a continuidade dos negócios, a gestão de riscos e a criação de valor corporativo. É o que revela o Global State of Facilities Management Report, da JLL.
O relatório aponta que o FM contemporâneo opera em uma convergência complexa entre eficiência financeira, confiabilidade operacional e experiência humana. Três prioridades surgem como centrais: eficiência de custos e orçamento; confiabilidade e resiliência dos ativos; e bem-estar e segurança dos ocupantes. Essas dimensões se reforçam mutuamente e moldam a forma como líderes de Corporate Real Estate (CRE) e FM pensam suas estratégias.
“O FM deixou de ser um centro de custo isolado para se tornar uma função que conecta operação, risco e estratégia. Quando bem-estruturado, sustenta a continuidade do negócio e cria as condições para que as pessoas performem melhor”, afirma Fatima Bottameli, diretora LatAm de Desenvolvimento de Soluções da JLL.
A pesquisa ouviu 248 organizações em mais de 20 países, de diferentes setores e tamanhos, sendo a maioria (77%) das Américas.
Pressão por eficiência leva a novos modelos
Do ponto de vista financeiro, o contexto atual impõe disciplina. Afinal, 84% dos líderes entrevistados apontam custos operacionais crescentes como sua principal preocupação, enquanto 81% indicam eficiência e otimização orçamentária como prioridade. Isso tem levado organizações a repensar modelos de contratação, consolidar fornecedores, investir em automação e usar dados para decisões mais precisas.
O relatório da JLL aponta as principais medidas para gerar economia em FM:
- Consolidação de contratos e fornecedores (58%);
- Uso de tecnologia e IA para automação e dados em tempo real (52%);
- Priorizar fornecedores com maior capacidade de autoexecução (52%);
- Monitoramento e benchmarking de desempenho de ativos (49%);
- Projetos conjuntos de economia com prestadores (37%).
Ao mesmo tempo, a dimensão de risco ganha peso inédito: 60% dos respondentes colocam a continuidade operacional em instalações críticas, como data centers, hospitais e laboratórios, como o principal foco de gestão de riscos em FM. Isso envolve desde modernização de infraestrutura antiga até planos de contingência de força de trabalho, proteção cibernética de edifícios inteligentes e garantia de fornecimento energético com sistemas de backup.
“A complexidade é crescente. Não basta saber operar ativos; é preciso ler dados, antecipar riscos e dialogar com diferentes áreas da organização, de TI a Sustentabilidade e Recursos Humanos”, explica a especialista da JLL.
Impacto do FM sobre pessoas é cada vez mais considerado
O estudo revela uma correlação de 84% entre experiências positivas no ambiente de trabalho e a aceitação de políticas de retorno ao escritório, evidenciando que a qualidade dos espaços influencia engajamento, produtividade e cultura organizacional. São aspectos como limpeza, conforto térmico, segurança, tecnologia e serviços.
Ou seja, FM passa a adotar uma lógica mais B2C, com mentalidade de hospitalidade para melhorar o conforto, a saúde e a produtividade dos usuários.
“FM não é apenas sobre edifícios, é sobre como as pessoas vivem e trabalham neles. As empresas que tratarem o FM como parceiro estratégico estarão mais preparadas para navegar incertezas, proteger seus ativos e criar ambientes que realmente agregam valor ao negócio”, avalia a diretora da JLL.