Qualidade do ar: PMOC promove eficiência, saúde e retenção de talentos
Mais do que uma exigência regulatória, o PMOC (Plano de Manutenção, Operação e Controle) dos sistemas de climatização vem ganhando status de ativo estratégico nas organizações. Em um contexto de trabalho híbrido, flight to quality e crescente atenção à saúde e ao bem-estar, a qualidade do ar interno deixou de ser tema técnico restrito à engenharia para se tornar um fator decisivo na produtividade, na retenção de talentos e na agenda ESG das empresas.
O PMOC estabelece diretrizes para manutenção, operação e controle de sistemas de HVAC (Heating, Ventilation and Air Conditioning), garantindo padrões mínimos de segurança e qualidade do ar. É obrigatório no Brasil desde 2018 e deve ser implementado em todos os edifícios de uso público ou coletivo com ambientes climatizados artificialmente, como escritórios, shoppings e hospitais. Seu objetivo é garantir a qualidade do ar interno e proteger a saúde dos ocupantes, seguindo normas técnicas e regulamentações da Anvisa, que realiza a fiscalização. O descumprimento da legislação pode resultar em multas.
“O PMOC deixou de ser apenas uma exigência legal para se tornar parte da gestão estratégica dos ativos nas grandes empresas. O plano de manutenção bem-estruturado reduz custos a longo prazo e aumenta a vida útil dos equipamentos. A maioria das empresas, porém, ainda o enxerga somente como custo, sem considerar seus benefícios operacionais e preventivos”, diz Ricardo Sousa, diretor de Novos Negócios de Manutenção da JLL.
Qualidade do ar afeta a saúde e a produtividade
Dados do Ministério da Saúde indicam que a exposição à poluição do ar está associada a milhares de internações e mortes por doenças respiratórias no Brasil todos os anos. Isso reforça a importância do controle da qualidade do ar em ambientes internos, especialmente em espaços climatizados.
A má qualidade do ar interno (QAI) está associada a riscos como a chamada Síndrome do Edifício Doente, caracterizada por um conjunto de sintomas, como dores de cabeça, fadiga, irritação nos olhos e rinite, que surgem em ocupantes de um local fechado, impactando diretamente seu bem-estar e produtividade. Sistemas de ar-condicionado sem manutenção adequada favorecem a proliferação de vírus, bactérias e fungos, que podem agravar quadros de asma, bronquite, pneumonia e outras doenças respiratórias.
Além disso, a pandemia de COVID-19 mudou a percepção dos colaboradores sobre segurança sanitária no ambiente de trabalho, afirma o especialista da JLL.
“Hoje, qualidade do ar, ventilação e conforto térmico são critérios relevantes na decisão de aceitar ou permanecer em um emprego. Nesse contexto, o PMOC deixa de ser mera burocracia e passa a ser elemento central da experiência no escritório”, indica.
PMOC como motor de valor estratégico
Empresas que conseguem comprovar ambientes mais saudáveis saem na frente na disputa por talentos. Relatórios, certificações e indicadores do PMOC podem ser utilizados como ferramenta de atração e retenção. Para os profissionais, o benefício é ter um ambiente mais saudável; para as empresas, o ganho é em produtividade. Isso porque ambientes com boa qualidade do ar estão associados a um melhor desempenho cognitivo, menos fadiga e menor incidência de afastamentos médicos.
“Um PMOC bem-estruturado impacta diretamente a produtividade e reduz o absenteísmo. Quando há controle adequado da qualidade do ar, preservamos a saúde dos ocupantes e evitamos custos que poderiam ser prevenidos com planejamento”, afirma Sousa.
O especialista da JLL cita outras vantagens de um PMOC adequado: “Um sistema de climatização bem-mantido opera com maior eficiência, reduzindo o consumo de energia e os custos com reparos emergenciais. Com um plano de manutenção preditiva, com monitoramento contínuo e identificação antecipada de falhas, a empresa evita paralisações inesperadas, prolonga a vida útil dos equipamentos e ganha previsibilidade orçamentária, diminuindo a ocorrência de manutenções corretivas, que são mais onerosas e impactam a operação”.
PMOC agrega tecnologia e sustentabilidade
O avanço da tecnologia está tornando a gestão do PMOC cada vez mais digital e preditiva. Sensores IoT já permitem monitorar em tempo real indicadores como CO₂, material particulado, umidade, temperatura e vibração de motores e bombas do sistema de HVAC.
Essas soluções já são utilizadas em ambientes controlados e críticos como indústrias farmacêuticas, laboratórios e data centers, mas agora avançam para escritórios e ambientes corporativos visando ao bem-estar dos ocupantes.
“Esses sensores ajudam a prever uma possível parada do sistema de ar-condicionado. O cliente consegue se antecipar e fazer manutenção preditiva, evitando interrupções no sistema de refrigeração”, explica Sousa.
O PMOC também é aliado da implementação da agenda ESG nas empresas, auxiliando no monitoramento de alguns KPIs-chave, como:
- Eficiência energética do sistema HVAC;
- Consumo de energia por m² climatizado;
- Frequência de manutenções corretivas versus preventivas;
- Níveis de CO₂ e material particulado;
- Indicadores de conforto térmico e qualidade do ar.
Além de reduzir impactos ambientais, esses indicadores fortalecem o pilar Social (saúde e bem-estar dos colaboradores) e Governança (conformidade regulatória e gestão de riscos) da agenda ESG.
A JLL apoia empresas na implementação e gestão do PMOC, desde o levantamento de ativos até planos de manutenção personalizados, com monitoramento contínuo e integração de tecnologias de IoT para gestão inteligente da qualidade do ar.
Para Ricardo Sousa, o PMOC é essencial para garantir a continuidade das operações e um investimento no principal ativo das empresas: seu capital humano. “Em um mundo em que o escritório compete com o home office, oferecer um ambiente superior em saúde e bem-estar deixou de ser diferencial e tornou-se uma condição para a relevância do espaço corporativo”, analisa.