Tecnologia, dados e IA redesenham a gestão de facilities
A transformação do Facilities Management (FM) não é apenas organizacional, também é digital. O Global State of Facilities Management Report, da JLL, mostra que tecnologia, dados e inteligência artificial (IA) estão no coração da nova geração de FM, redesenhando processos, decisões e modelos operacionais em escala global.
Embora 32% das organizações ainda planejem aumentar seus investimentos em software de FM, o ritmo de crescimento desacelerou em relação a 2023 e 2024, refletindo maior cautela em um cenário econômico incerto. Ao mesmo tempo, a IA passou a disputar e até a liderar a prioridade de investimento, reduzindo orçamentos para outras categorias tecnológicas.
“A adoção de IA em FM depende menos de ferramentas e mais de maturidade digital, especialmente dados bem-estruturados, integrados e geridos”, diz Fatima Bottameli, Diretora LatAm de Desenvolvimento de Soluções para Facilities e Manutenção da JLL.
O relatório mostra que os investimentos são focados em valor operacional imediato. A gestão de ordens de serviço lidera a lista (57%), seguida por insights sobre o ciclo de vida dos empreendimentos (54%) e ferramentas para apoiar decisões de substituição de ativos (45%). A manutenção preditiva, impulsionada por algoritmos de IA, também aparece como prioridade (44%), sinalizando a transição de modelos reativos para modelos baseados em dados e antecipação de falhas.
Automação e IA já trazem benefícios reais
A automação surge como um dos maiores impulsionadores de produtividade. Entre os pesquisados, 61% veem alto potencial na automação de relatórios de desempenho, substituindo planilhas manuais por dashboards em tempo real. Mais da metade (52%) aposta na automação do fluxo de ordens de serviço, desde a distribuição até o acompanhamento de status, reduzindo erros humanos e acelerando respostas. Até processos financeiros, como aprovação de faturas, começam a ser automatizados.
No campo da IA, a adoção já está em curso – 28% das organizações já implementam soluções de IA em FM, percentual que sobe para 46% entre empresas com mais de 100 mil funcionários. Os principais casos de uso incluem manutenção preditiva, processamento inteligente de documentos, monitoramento de segurança operacional e otimização de ativos e energia.
“Os dados gerados pelo FM no nível de edifícios, espaços e equipamentos são uma infraestrutura invisível que alimenta decisões sobre custos, energia, ocupação e sustentabilidade”, afirma a diretora da JLL.
Integração de dados ainda é desafio
Apesar do entusiasmo, desafios significativos permanecem – 54% dos entrevistados citam o custo e a complexidade de integrar novas tecnologias a outros sistemas como principal barreira, enquanto 41% apontam problemas de qualidade, governança e segurança de dados, fatores críticos na era da IA. Além disso, quase metade considera seus dados de ocupação insuficientes para análises avançadas, o que limita o potencial de aplicações mais sofisticadas.
“Organizações que priorizam integração, qualidade de dados e casos de uso de alto impacto são as que conseguem escalar IA e capturar retorno real sobre investimento”, indica Bottameli.