Experiência em edifícios corporativos é diferencial na atração de pessoas
As expectativas das pessoas em relação aos espaços que frequentam estão altas, segundo o estudo global Experience Matters, da JLL. Mais de 70% dos 12 mil respondentes, em 19 mercados e 64 municípios, esperam que suas cidades ofereçam experiências integradas, conveniência, bem-estar e conexão com valores pessoais, como saúde, comunidade e sustentabilidade, e estão dispostos a pagar por isso. Essa visão está transformando o mercado imobiliário corporativo e abrindo caminho para uma nova estratégia de valorização patrimonial: o Experience Management (XM), um serviço dedicado à jornada do ocupante dentro dos empreendimentos.
De acordo com Murillo Azevedo, gerente de Planejamento Estratégico da área de Gerenciamento de Propriedade da JLL, a solução de XM é um fator crítico para a atração de inquilinos em mercados mais desenvolvidos, como o americano e o canadense e, agora, vem dando passos importantes na América Latina.
“Nos Estados Unidos, é comum haver andares inteiros voltados à experiência das pessoas dentro dos prédios, com áreas para práticas de esportes ou meditação, realização de eventos temáticos, facilidades como minimercados e cafeterias, disponibilização de guarda-chuvas e outras amenidades que tornam a permanência no espaço mais agradável. Isso faz com que os funcionários queiram frequentar o escritório. Assim, o XM, com uma equipe exclusiva, se torna um aliado dos proprietários na atração de inquilinos e das empresas ocupantes na atração e retenção de talentos”, explica.
XM como driver de rentabilidade
Nesse cenário, cada vez mais a experiência desempenha um papel fundamental para elevar valores de aluguel e ampliar o retorno sobre os investimentos. À medida que os empreendimentos orientados por experiência se tornam mais comuns, as expectativas sobre os ativos existentes também aumentam, e a experiência passa a emergir como um fator-chave no risco de obsolescência.
Para ocupantes corporativos, o design orientado pela experiência pode apoiar a atração e retenção de talentos, aumentar o fluxo e o engajamento, elevando a satisfação de consumidores e colaboradores. Portanto, o XM deixa de ser um custo condominial extra e passa a ser um investimento direto do valor do ativo.
“No Brasil, apesar dessa realidade estar mudando rapidamente, alguns proprietários e síndicos ainda veem soluções de experiência e ativações como um custo adicional. Além disso, a equipe de administração predial não é cobrada pela rentabilidade do ativo, não é avaliada pela velocidade de locação, pela vacância ou pelo preço praticado. Porém, o debate agora é sobre isso: o quanto a experiência contribui para o valor real do imóvel? Nosso papel é mostrar que a gestão da experiência impacta diretamente a performance do ativo e seu valuation”, afirma Murillo.
O valor da experiência
O estudo da JLL mostra que 69% das pessoas estão dispostas a pagar mais por experiências de alta qualidade, e 64% preferem experiências de alta qualidade em vez de proximidade quando se trata de espaços para socialização.
O custo do XM pode variar muito, mas, de forma geral, costuma representar cerca de 3% a 6% da despesa condominial, valor relativamente baixo quando comparado à sua capacidade de:
- reduzir a vacância;
- acelerar a ocupação;
- sustentar aumentos de aluguel com base em diferenciação real;
- melhorar a retenção e a satisfação de inquilinos e colaboradores.
“Funcionários satisfeitos performam mais, e isso é muito valorizado pelas empresas. É um diferencial real para a empresa estar ali. E, para o proprietário, quanto vale alugar mais rápido? Quanto vale ter uma vacância quase inexistente? Quanto vale poder elevar o aluguel, recebendo um prêmio adicional pela iniciativa? Esse é o cálculo que precisa ser considerado”, reforça o especialista da JLL.
Soluções personalizadas aumentam percepção de valor
O relatório Experience Matters 2025 mostra que 74% dos consumidores preferem marcas e espaços que os reconheçam e personalizem sua experiência. No mercado imobiliário, isso significa fugir da guerra de preços que domina empreendimentos indiferenciados.
“Quando personaliza, você foge da comoditização. Cada ocupante tem prioridades e culturas diferentes, e isso muda de prédio para prédio. A equipe de Experience Management (XM) traz um olhar holístico para esse cenário”, diz o especialista da JLL.
Pesquisas realizadas pela JLL revelam alguns padrões, como valorização da saúde, bem-estar, práticas de corrida, yoga, meditação e outras iniciativas relacionadas ao equilíbrio físico e psicológico.
Para Murillo, a adoção do XM tende a crescer no Brasil. “Conforme mais proprietários iniciarem esse movimento, acontecerá um efeito em cadeia. A experiência será um fator decisivo para a escolha dos espaços corporativos, comparável ao design e à localização. Os empreendimentos que largarem na frente e incorporarem XM terão vantagens: atrairão mais rapidamente, reterão melhor, valorizarão mais e se tornarão mais resilientes ao longo do tempo”, indica.