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Encontrar o equilíbrio entre o trabalho presencial e o remoto virou um dos principais desafios das empresas desde o fim da pandemia. Acostumados à comodidade do home office, os empregados resistem ao retorno, especialmente quem mora nas grandes cidades, onde se perde muito tempo em deslocamentos, sem contar o desconforto do transporte público.

As empresas, no entanto, avançam e requerem maior presença visando a preservar a cultura, a aumentar a produtividade e a melhorar os resultados. Para alguns setores, como bancos, a proporção de três dias no escritório e dois em home office já não atende às expectativas.

O desafio de atrair as equipes aos escritórios está promovendo profundas mudanças na forma como as empresas veem seus ativos imobiliários. A diretora LatAm de Desenvolvimento de Soluções da JLL, Fatima Bottameli, explica que espaços e instalações são um dos três pilares para o próximo ciclo de crescimento das empresas, conforme apurou uma recente pesquisa realizada pela JLL.

Empresas com visão de futuro reconhecem que seus imóveis são uma expressão tangível de sua marca e um ativo estratégico para construir cultura, diz o estudo. Com o direcionamento correto, os imóveis podem ser uma ferramenta estratégica para criar valor para uma organização e no relacionamento com os seus diferentes públicos.

De acordo com o estudo, a estratégia imobiliária pode ajudar a vencer a guerra por atração e retenção de talentos, apontada como a segunda maior prioridade dos 2.300 líderes empresariais que responderam à pesquisa.

Para ter sucesso nessa missão, um dos caminhos preferenciais é investir na qualidade do espaço oferecido, e isso requer uma abordagem ampla, incluindo pensar no funcionamento adequado de tudo, mas até em amenidades e na segurança do entorno, nas opções de alimentação e de meios de transporte e estacionamento.

“Existe uma resistência dos empregados que pode ser explicada pelos impactos em suas vidas pessoais, mexendo, por exemplo, com rotinas de escola de filhos, alimentação e atividades de bem-estar, além de excesso de trânsito e lotação de transportes públicos”, afirma Fatima Bottameli.

Facilities no centro da estratégia

Ainda segundo o estudo da JLL, 60% das empresas planejam aumentar o investimento em reformas nos espaços nos próximos cinco anos. Afinal, querem ambientes que favoreçam a produtividade e a eficiência das equipes. Essa tendência vai na contramão do que vinha ocorrendo desde a pandemia, quando organizações enxugaram drasticamente seus espaços, e isso teve reflexos diretos na redução de custos de manutenção, limpeza, material de toalete, entre outros.

Agora, de acordo com a diretora da JLL, é hora de reorganizar os escritórios e recalcular gastos com facilities e amenidades para receber adequadamente os empregados, que estão mais exigentes. Tradicionalmente, as empresas esperavam que seus funcionários se adaptassem aos espaços oferecidos. Hoje, a lógica inverteu: é preciso criar espaços que atraiam empregados, oferecendo serviços e amenidades de acordo com suas necessidades. Isso inclui, por exemplo, dispor de bicicletários e chuveiros para as pessoas que utilizam transportes alternativos.

Para tanto, é importante contar com uma consultoria de facilities management capaz de analisar todos os aspectos relacionados à preparação do retorno coletivo aos escritórios, com a elaboração de um programa personalizado para a empresa, considerando também as expectativas de seus empregados. Uma consultoria especializada pode dar suporte operacional e tático aos clientes em renegociação de aluguéis, busca de novos espaços e no planejamento, contratação e gestão de toda a necessidade de serviços de manutenção, limpeza, energia até a oferta de bebidas e alimentação.

Pode, ainda, participar do planejamento da estratégia de retorno ao escritório para que seja efetivo, definindo, entre outros aspectos, um balanceamento do espaço necessário de mesas de trabalho e áreas cooperativas para reuniões formais ou de encontro.

E aí entra a inteligência artificial, outro pilar apontado pelo estudo da JLL como sendo capaz de potencializar resultados do portfólio imobiliário. A tecnologia pode trabalhar com os milhões de dados gerados nos edifícios para permitir criar insights úteis na prevenção da demanda de ocupação de espaço, personalização de ambientes e até para decidir sobre reformas.