Com infraestrutura, Porto do Açu se torna hub de negócios sustentáveis
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Agência Tecere
A descarbonização da economia global exige novas soluções capazes de integrar indústria, logística, energia e inovação. Nesse cenário, complexos industriais e portuários têm um papel estratégico ao oferecer infraestrutura e escala para acelerar a transição energética. Um exemplo desse movimento é o Porto do Açu, localizado no norte do Rio de Janeiro, que vem se consolidando como um ecossistema de negócios voltado à eficiência operacional e à sustentabilidade.
Com uma área total de aproximadamente 130 km², sendo cerca de 90 km² destinados às atividades industriais e logísticas, o complexo foi planejado para abrigar diferentes cadeias produtivas e gerar sinergias entre elas. Segundo Eugenio Figueiredo, CEO do Porto do Açu, essa integração permite que empresas instaladas no local operem de forma mais eficiente e com menor impacto ambiental.
“O objetivo é criar um ecossistema em que as operações sejam mais eficientes do que em outras localizações, gerando valor para todos os participantes e, ao mesmo tempo, reduzindo impactos ambientais”, afirma Figueiredo.
Para Luciana Arouca, head de Serviços de Sustentabilidade da JLL, iniciativas desse tipo são essenciais para avançar na agenda de descarbonização global.
“A integração entre indústria, logística e energia cria oportunidades reais para reduzir emissões em setores que tradicionalmente têm grande intensidade de carbono. Complexos industriais planejados com essa visão podem funcionar como catalisadores da transição energética”, diz.
Ecossistema industrial voltado à descarbonização
O Porto do Açu reúne operações ligadas à mineração, petróleo e gás, geração de energia, movimentação de cargas gerais, serviços offshore e novos projetos associados à transição energética. Entre os projetos está a produção de HBI (Hot Briquetted Iron), um insumo intermediário utilizado na fabricação de aço. O material pode reduzir significativamente o uso de carvão nos altos-fornos, que são uma das principais fontes de emissão da indústria siderúrgica.
“Quando utilizamos HBI na produção de aço, reduzimos o consumo de coque, que é derivado do carvão e um dos grandes responsáveis pelas emissões do setor. Isso permite uma redução relevante de emissões sem exigir mudanças estruturais no parque industrial existente”, explica Figueiredo.
Geração de energia, combustíveis do futuro e novos setores
Outro pilar do desenvolvimento do complexo é a construção de um cluster energético capaz de atender à crescente demanda por fontes de energia mais limpas. Hoje, o Porto do Açu abriga cerca de 3 GW de capacidade instalada em usinas termelétricas a gás natural de alta eficiência. Em paralelo, novos projetos de geração renovável e combustíveis de baixo carbono estão em desenvolvimento, incluindo iniciativas ligadas a hidrogênio e amônia verdes, e-metanol, e combustíveis sustentáveis de aviação (SAF).
A estratégia inclui a criação de um hub dedicado à produção de hidrogênio e derivados. A primeira área licenciada para esses projetos, com cerca de 1 milhão de m², já está totalmente reservada por empresas interessadas, e uma segunda etapa de expansão com mais 2,5 milhões de m² está em andamento.
“Ao antecipar o licenciamento ambiental dessas áreas, conseguimos acelerar o início de projetos industriais e tornar o porto mais competitivo para investidores”, afirma o executivo.
Além da produção, o objetivo é posicionar o complexo como parte de corredores logísticos de combustíveis verdes, abastecendo navios e cadeias industriais com alternativas de menor emissão de carbono.
A disponibilidade de energia, água, espaço e conectividade também abre oportunidades para novas indústrias intensivas em infraestrutura, como data centers. Segundo o CEO, o Porto do Açu oferece condições que são cada vez mais raras em grandes centros urbanos: capacidade de fornecimento de energia em grande escala, possibilidade de expansão e acesso relativamente próximo a cabos submarinos de fibra óptica.
Esse conjunto de fatores torna o complexo especialmente atrativo para data centers voltados a aplicações como backup de dados ou treinamento de inteligência artificial, que demandam grandes volumes de energia e não dependem de latência extremamente baixa.
A localização estratégica do Porto do Açu também contribui para reduzir emissões na cadeia logística. Situado próximo às principais bacias petrolíferas offshore do país, como Bacia de Campos e Bacia de Santos, o complexo encurta distâncias para operações de apoio à exploração de petróleo. Isso significa menos viagens e menor consumo de combustível, contribuindo para reduzir emissões mesmo em cadeias ainda dependentes de combustíveis fósseis.
O Açu também vem ampliando sua atuação em cadeias como agronegócio e fertilizantes, oferecendo novas rotas logísticas que podem reduzir custos e impactos ambientais associados ao transporte.
Sustentabilidade integrada ao território
A estratégia ambiental do Porto do Açu vai além da infraestrutura industrial. Cerca de 40 km² da área total do empreendimento foram destinados à preservação ambiental, formando a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Caruara, considerada a maior área protegida de restinga do país. A iniciativa ajuda a conservar a biodiversidade, proteger áreas de desova de tartarugas marinhas e manter uma barreira natural entre as operações industriais e as comunidades do entorno.
“A reserva ambiental mostra que desenvolvimento econômico e conservação podem caminhar juntos. Projetos que integram essas dimensões tendem a ser mais resilientes e alinhados às expectativas de investidores e da sociedade”, pontua a especialista de Sustentabilidade da JLL.
Além disso, o complexo mantém programas de monitoramento ambiental e projetos sociais que envolvem moradores da região, contribuindo para geração de emprego e desenvolvimento local. Hoje, mais de 7,6 mil pessoas trabalham diariamente no local.
Para Figueiredo, o futuro do Porto do Açu está diretamente ligado à capacidade de atrair investimentos em cadeias industriais de baixo carbono e criar sinergias entre diferentes setores.
“A transição energética exige infraestrutura, escala e colaboração entre diversos atores. Nosso papel é atuar como um orquestrador desse ecossistema, criando as condições para que esses projetos aconteçam”, afirma.
Assim, combinando infraestrutura logística, energia, inovação e conservação ambiental, o Porto do Açu se posiciona como um dos principais polos brasileiros para negócios que buscam crescer alinhados à agenda global de sustentabilidade.