Estudo da JLL mostra alta aceitação dos brasileiros à IA no ambiente construído
A relação entre pessoas, tecnologia e espaços físicos está mudando rapidamente e transformando as expectativas para o mercado imobiliário nos próximos anos, conforme mostra o estudo global Experience Matters, da JLL. Com insights coletados de 12 mil respondentes em 19 países, o levantamento revela um cenário no qual tecnologia e inteligência artificial (IA) são vistas como ferramentas essenciais para melhorar a experiência urbana, mas de forma equilibrada, integrada e, muitas vezes, invisível.
O Brasil se destaca como um dos mercados mais receptivos à integração de inteligência artificial em cidades e edifícios. De acordo com a pesquisa da JLL, 71% dos brasileiros dizem estar confortáveis com o uso de IA no ambiente construído – índice acima da média global (67%) e superior aos Estados Unidos (68%).
“Temos um ecossistema de startups bem desenvolvido no Brasil, o que favorece essa abertura à tecnologia. Há um número relevante de construtechs e proptechs dedicadas a soluções para inovar e otimizar a construção civil e a gestão de imóveis. Na JLL, nossos clientes se beneficiam dessas ferramentas”, diz Weslei Rios, Arquiteto de Soluções Tecnológicas da JLL.
IA ganha espaço no desenho de cidades e edifícios
O estudo revela que a percepção de valor da IA está crescendo. As pessoas reconhecem seu potencial para melhorar operações, infraestrutura e serviços urbanos, com destaque para mobilidade, energia e gestão de espaços.
Segundo a pesquisa, os consumidores globais demonstram forte apoio à tecnologia quando contribui para tornar cidades e edifícios mais funcionais: 70% das pessoas acreditam que cidades devem ser digitalmente habilitadas e incorporar sensores e infraestrutura inteligente. Porém, quando se trata de interações diretas com tecnologia, como quiosques automatizados, realidade virtual e aplicativos complexos, o entusiasmo é menor.
“As pessoas querem tecnologia, mas não querem sentir a presença da tecnologia o tempo todo. O valor está em soluções que funcionam de forma fluida, inteligente e quase invisível, amplificando a experiência sem atrapalhar a interação humana”, afirma Rios.
IA como elemento estratégico do ambiente construído
Para o especialista da JLL, o avanço da IA no real estate traz inúmeros ganhos operacionais, que são evidentes, mas já há influência também em outros aspectos.
“Estamos entrando em uma fase em que a IA passa a contribuir diretamente para a experiência das pessoas nos espaços. O desafio e, ao mesmo tempo, a grande oportunidade, é integrar a IA ao ambiente físico de forma harmoniosa, conectando o digital ao presencial.”
O estudo indica que o mercado imobiliário deve evoluir para integrar tecnologias avançadas de forma holística, conectando infraestrutura urbana, prédios, rotinas de ocupação e experiência do usuário. Isso inclui:
- Sistemas inteligentes e integrados para gestão predial;
- Análises em tempo real para conforto, eficiência e uso do espaço;
- Experiências híbridas que unem físico e digital;
- IA atuando nos bastidores, personalizando fluxos e melhorando
serviços.
Curadoria tecnológica ganha relevância
Apesar da preferência geral por ambientes tecnologicamente habilitados, o estudo aponta um fenômeno emergente: quase dois terços das pessoas desejam espaços para digital detox. No entanto, esse grupo não rejeita a tecnologia, ao contrário, são também os que mais apreciam experiências avançadas com IA, VR e smart buildings.
Isso demonstra uma demanda por curadoria tecnológica, e não por presença tecnológica irrestrita. “Não se trata de colocar tecnologia em tudo, mas de criar escolhas: espaços inteligentes quando isso melhora a vida das pessoas, e espaços de respiro quando elas precisam se desconectar. A recomendação é que desenvolvedores e ocupantes priorizem investimentos tecnológicos que aumentem conveniência, bem-estar e autenticidade, não apenas inovação pela inovação”, avalia o especialista da JLL.