Confira cinco tendências para o mercado imobiliário corporativo em 2026
Após anos de redimensionamentos reativos e mudanças impulsionadas pela pandemia, 2026 marca o momento em que o imobiliário deixa de ser apenas um custo necessário para as empresas e passa a se consolidar como um diferencial estratégico. As organizações vencedoras serão aquelas que definirem as estratégias corretas, bem como construírem bases culturais e de talentos capazes de absorver mudanças de forma contínua. Nesse contexto, gestão proativa da mudança, desenho organizacional adaptável e maior integração entre a área imobiliária corporativa (Corporate Real Estate - CRE) e o negócio tornam-se essenciais.
A seguir, confira cinco tendências para se observar no mercado imobiliário corporativo em 2026:
1. Foco em “portfólios elásticos”, mais dinâmicos e eficientes
As empresas estão mudando seus modelos de ocupação de espaços para algo mais adaptável e responsivo às necessidades contínuas do negócio. Em vez de compromissos longos e estáticos em contratos tradicionais, os ocupantes estão preferindo “portfólios elásticos”, ou seja, capazes de expandir, contrair ou se reconfigurar rapidamente conforme as mudanças nas prioridades corporativas.
“A otimização do portfólio possibilita reduzir custos e aumentar a capitalização do negócio. Essa abordagem ajuda as empresas a equilibrar controle de custos com flexibilidade e crescimento, respondendo de forma mais ágil às demandas voláteis do mercado”, diz Roberto Patiño, head de Serviços de Portfólio da JLL.
2. Locais de trabalho centrados na experiência
As estratégias de presença no escritório estão mudando: já não se trata apenas de exigir que as pessoas compareçam, mas de criar ambientes de trabalho que mereçam o deslocamento. A experiência do colaborador tornou-se um fator crítico de atração e retenção de talentos, e fatores como bem-estar, espaços projetados para colaboração e ambientes que facilitem a vida dos trabalhadores são essenciais.
Essa visão está abrindo caminho para o Experience Management (XM), um serviço dedicado à jornada do ocupante dentro dos empreendimentos. “É um diferencial para a atração de inquilinos e para a satisfação dos usuários. Colaboradores satisfeitos produzem mais”, pontua Murillo Azevedo, gerente de Planejamento Estratégico da área de Gerenciamento de Propriedades da JLL e responsável pela solução de XM.
Para Dante Righetto, gerente comercial de Serviços de Portfólio da JLL, criar experiências positivas no local de trabalho não é apenas uma pauta de RH ou de real estate, mas uma decisão estratégica que conecta pessoas, cultura e resultados. “Organizações que investem de forma estruturada na experiência do colaborador fortalecem sua marca empregadora, reduzem custos associados à rotatividade e aumentam o valor de seus ativos imobiliários”, explica.
3. Avanços na utilização de IA
A inteligência artificial (IA) está deixando de ser apenas um projeto piloto na área de real estate corporativo para se tornar parte integrante da infraestrutura operacional. Ferramentas de IA integradas podem criar ambientes de trabalho mais responsivos, ajustando-se em tempo real a dados de uso e preferências dos usuários, e podem impulsionar a eficiência operacional, trazendo mais eficiência para a manutenção preditiva, gestão energética e análise de espaço. Essa evolução exige, porém, uma base de dados mais organizada e interoperável para que os projetos de IA entreguem valor mensurável.
“A inteligência artificial já deixou de ser tendência. Faz parte da operação do presente e deve ganhar escala à medida que a integração entre dados, pessoas e sistemas se fortalece”, diz Weslei Rios, arquiteto de Soluções Tecnológicas na JLL.
4. Papel estratégico de gestão de facilities
O papel da gestão de facilities (Facilities Management - FM) está se transformando rapidamente. O FM não é mais apenas uma área de suporte operacional; agora exige investimento em talento capacitado, transformação funcional e gestão de mudanças eficaz. Pressões de custo e expectativas de experiência do ocupante estão elevando as demandas sobre as equipes de FM, que precisam estar preparadas para operar com tecnologia avançada e estruturas mais ágeis. Ao mesmo tempo, competências humanas centradas em empatia, colaboração e resolução de problemas, além de automação e digitalização de processos, são essenciais para lidar com um ambiente em evolução contínua.
“Facilities assume um papel cada vez mais estratégico nas empresas, para além da operação e das atividades do dia a dia. Instalações bem gerenciadas promovem o bem-estar, aumentam a produtividade, reduzem o turnover e melhoram os resultados financeiros da organização. Contar com um parceiro especializado permite à empresa focar no seu core business”, indica Fatima Bottameli, diretora de Desenvolvimento de Soluções para Facilities e Manutenção da JLL.
5. Monitoramento de energia para redução de custos e sustentabilidade
Entre os tópicos estratégicos, a gestão de energia emerge como um dos mais importantes, tendo em vista tanto a garantia do fornecimento para as operações quanto o consumo eficiente que gere ganhos financeiros e de sustentabilidade. Com os custos de energia aumentando significativamente em muitas regiões, rastrear, medir e otimizar o consumo tornou-se uma prioridade crítica.
Tecnologias como sensores inteligentes, monitoramento em tempo real e análises avançadas permitem melhor uso da energia, redução de desperdícios e apoio ao cumprimento de regulamentações ambientais cada vez mais rigorosas. Ao integrar dados de desempenho energético na operação e na tomada de decisões, as organizações podem reduzir custos, apoiar metas de descarbonização e fortalecer o valor de ativos.
“No mercado imobiliário, sustentabilidade e dados caminham de mãos dadas, e é por meio de uma boa gestão do consumo energético que podemos compreender onde estão as oportunidades de melhorias visando a uma operação cada vez mais eficiente a médio e longo prazo, capaz de cumprir com as regulamentações que estão por vir”, afirma Luciana Arouca, diretora de Sustentabilidade da JLL.