Demanda por escritórios mobiliados faz proprietários investirem em projetos e até em showroom
Opções de espaços neutros ou customizados
De acordo com Alessandra Arnone, diretora da Tétris Design & Build, empresa do grupo JLL, os proprietários que estão investindo no modelo turn key apostam em dois perfis de projeto: espaços neutros, com configuração padrão, ou projetos customizados, desenvolvidos sob demanda do futuro ocupante.
“A customização atende àquelas empresas que desejam transformar Capex em Opex, mas não encontram no mercado opções de imóveis prontos para suas necessidades, principalmente no pós-pandemia, em que a busca por qualidade dos espaços é maior”, diz a diretora da Tétris no Brasil.
Já os espaços neutros são como uma solução de prateleira, um produto com layout modular em que é possível adicionar ou retirar itens facilmente, como salas de reunião e espaços colaborativos. Para divulgar esse produto, os empreendimentos estão investindo em showrooms, assim como o segmento residencial aposta no apartamento decorado.
“O showroom é um andar modelo e apresenta um cardápio de opções de configurações eficientes e facilmente adaptáveis a baixo custo. Com isso, o locatário consegue se ver dentro do espaço. É uma tendência. O mercado está exigindo essa flexibilidade dos proprietários”, avalia a diretora da Tétris no Brasil.
Em geral, esses espaços padrão são simples, com mobiliário nacional, sem itens de decoração ou paisagismo que possa encarecer o projeto. Afinal, o objetivo é diluir o custo da obra, mas sem encarecer o contrato de locação a ponto de se descolar da realidade do mercado imobiliário da região.
Para Alessandra, essa evolução do turn key de uma demanda dos locatários para uma ferramenta de atração usada pelos proprietários se deu porque o modelo se mostrou eficiente.
“Alinhar o processo de locação à parte técnica da implantação é uma vantagem porque garante que o projeto será implementado de acordo com as premissas e dentro do investimento previsto”, declara.
Novo formato transforma as negociações
Esse novo formato está transformando a forma de negociar, de acordo com a diretora de Locação na Divisão de Escritórios da JLL.
“A demanda dos ocupantes é por espaços já prontos e, inclusive, com o budget definido. A oferta precisa se adequar a esse formato, ou seja, trabalhar com um pacote completo”, indica Yara Matsuyama.
No entanto, o desafio desse modelo de negócio é manter o valor global de locação, incluindo obra e mobiliário, dentro da faixa de preço da região. A JLL e a Tétris auxiliam nessa análise de viabilidade.