Novo estoque de galpões chega 80% pré-locado| 3T 2026
Autores
Rafael Picerni
Por mais um trimestre consecutivo, a taxa de vacância de galpões logísticos no Brasil apresenta redução. Entre julho e setembro, o índice chegou a 4,9% – 1.6 p.p. abaixo do período anterior, revela levantamento realizado pela JLL. Com a baixa oferta de produtos disponíveis para locação, os ocupantes estão mirando em empreendimentos antes mesmo deles serem entregues. O terceiro trimestre registrou 849 mil m² de novo estoque, maior volume do ano, com 80% já pré-locado – recorde até o momento. Com essa entrada, o mercado nacional ultrapassou a marca de 40 milhões de m².
Até o final de 2026, ainda estão previstos mais 2,2 milhões de m² em novos galpões, sendo que metade desse montante já está contratada, majoritariamente, por empresas de e-commerce. Mercado Livre já garantiu a ocupação de 759 mil m² divididos em sete estados. A Shopee, outra gigante do varejo online, reservou mais 461 mil m². André Romano, gerente da Divisão Industrial e Logística da JLL, analisa a disputa por espaço. “Este ano, o mercado de galpões registrou absorção líquida na casa de 1 milhão de m² em todos os trimestres. Isso mostra como a demanda está aquecida e como o planejamento para contratação de novos galpões tornou-se essencial dentro das empresas. É um jogo de xadrez para antecipar necessidades e garantir localizações estratégicas”.
O Mercado Livre segue sendo o principal tomador de área do Brasil. Se somarmos os espaços ocupados pela empresa, o volume é maior do que o estoque de muitos estados brasileiros, ficando atrás somente de São Paulo e Minas Gerais, com potencial para ultrapassar MG em breve. “Isso mostra uma movimentação consistente da companhia, que busca sempre ativos de primeira linha”, analisa Romano.
Protagonismo paulista e ampliação de fronteiras
São Paulo concentrou 61% do novo estoque do trimestre no Brasil e foi responsável por 59% da absorção líquida nacional. Com taxa de vacância de 4,4% – abaixo da média nacional –, o estado viu o preço pedido subir 28% do primeiro para o segundo semestre. O levantamento da JLL mostra que dos 917 mil m² projetados para serem entregues em São Paulo até o final do ano, 74% já apresentam contratos de pré-locação.
Para o analista de Pesquisa e Estratégia da JLL, Rafael Picerni, o interesse no mercado paulista tem se expandido pelo interior do estado, para além do raio de 70 km da capital. “Vemos o desenvolvimento e a absorção de empreendimentos em regiões como Americana, Ribeirão Preto e Piracicaba. Esta última, contabilizou a maior entrega do período, com a chegada de mais de 150 mil m² em um só condomínio”.
Indo para a região Norte, Manaus é uma nova área de interesse do mercado e já vê a expansão de seus limites para além do distrito industrial, que apresenta cerca de 180 mil m² planejados. “Por permanecer como área incentivada após a Reforma Tributária, a expectativa é de crescimento da demanda para esse eixo, que ainda não apresenta estoque expressivo de galpões logísticos de alto padrão”, finaliza Romano.