Rebouças tem vacância zero e mercado de escritórios de São Paulo tem começo de ano aquecido | 1T 2026
O mercado de escritórios de alto padrão em São Paulo começou 2026 com mais uma redução na taxa de vacância. O índice chegou a 13,4%, menor patamar registrado nos últimos 14 anos. De acordo com estudo da JLL, o desempenho reflete a absorção consistente da oferta, com o preço médio pedido acumulando alta de 8% em um ano e 24,3% no período de 24 meses.
A movimentação no início do ano foi impulsionada por transações de grande porte, totalizando 12 locações acima de 3 mil m² e seis operações superiores a 5 mil m². Geograficamente, as regiões da Barra Funda, JK e Chucri Zaidan lideraram o saldo de ocupação, com absorção líquida acima de 15 mil m² cada. O eixo da Rebouças se consolidou como um dos principais destaques ao atingir ocupação plena no período.
“O desempenho da Rebouças demonstra a maturidade dessa região no segmento corporativo. Ali,, inclusive, o novo estoque previsto para ser entregue no ano já se encontra totalmente pré-locado”, afirma Yara Matsuyama, diretora de Locações da JLL.
A executiva destaca o crescimento do mercado, que expandiu 26% em volume de estoque desde 2019. “Apesar disso, quem busca grandes espaços, já enfrenta dificuldades nos principais eixos corporativos”, sinaliza.
O levantamento da JLL identifica uma redução no volume de edifícios capazes de oferecer lajes contíguas acima de 10 mil m²: caiu de 17 para 7 na comparação com o primeiro trimestre de 2024. No cenário atual, regiões tradicionais como Faria Lima, Itaim, Nova Faria Lima, Paulista e Vila Olímpia já não dispõem de áreas com essas dimensões em seus estoques.
David Aguiar, analista de Pesquisa e Estratégia da JLL e responsável pelo estudo, ressalta o impacto dessa configuração nas estratégias corporativas. “A diminuição de alternativas com metragens elevadas nos eixos centrais direciona a procura para regiões que ainda comportam esse volume de ocupação ou para projetos em fase de desenvolvimento”, explica. “Isso também aumenta a necessidade de planejamento de longo prazo”, lembra Matsuyama.
Recordes à vista
A JLL projeta que a vacância permanecerá em queda, chegando no patamar de 11%. “Mesmo com previsão de novo estoque acima dos 300 mil m², entendemos que o volume de absorções deve superar 2025, gerando um novo recorde para o mercado”, analisa Aguiar.