Mercado de galpões logísticos registra recorde histórico de quase 3 milhões de m² em novo estoque | 4T 2025
O mercado de galpões logísticos no Brasil encerrou 2025 mantendo um nível elevado de atividade, com taxa de vacância nacional em 7,7%, menor índice já registrado na série histórica. O país registrou recorde de quase 3 milhões de m² de novo estoque, segundo a pesquisa First Look realizada pela JLL. O preço médio chegou a R$ 30,7/m², o que representa uma alta de 7,8% em um ano.
Em 2025, foram entregues 81 empreendimentos logísticos, distribuídos por 19 estados brasileiros, demonstrando a diversidade geográfica dos investimentos. Do total, 39 projetos foram expansões de condomínios já existentes e 42 ocorreram em novas localidades. ”Isso reflete uma estratégia cada vez mais comum entre os investidores: a aposta no desenvolvimento faseado dos empreendimentos”, revela André Romano, gerente da Divisão Industrial e Logística da JLL.
“O volume recorde de entregas, combinado a uma vacância em 7,7%, são sinais de um mercado bem estruturado e equilibrado, com oferta sendo absorvida de forma consistente à medida que os novos produtos passam a integrar o estoque”, afirma o executivo.
São Paulo lidera investimentos e grandes negociações
O estado de São Paulo concentrou cerca de 1,5 milhão de m² em novos empreendimentos, o equivalente a aproximadamente 50% de todo o novo estoque entregue no Brasil em 2025. Com preço médio de locação acima do índice nacional (R$ 34,5/m²), manteve ritmo acelerado de crescimento e seguiu como principal polo de grandes operações logísticas.
Entre os destaques do quarto trimestre, está a locação realizada pela TK Logística, empresa ligada ao Grupo Toyota do Brasil, que alugou 102 mil m² na região de Sorocaba. “O desempenho de São Paulo reflete não apenas volume de investimentos, mas também a qualidade da demanda, com operações cada vez maiores e mais estratégicas. Isso faz com que o preço de alguns ativos chegue a, por exemplo, R$ 45/m² devido à sua localidade privilegiada”, destaca Rafael Picerni, da JLL.
O varejo e o e-commerce continuam entre os principais vetores de demanda. Mercado Livre e Shopee aparecem na sequência entre as maiores ocupações do período, reforçando a continuidade dos investimentos em centros de distribuição no país. “Com estratégias diferentes — uma concentrada em grandes hubs logísticos e a outra apostando em maior diversificação de localidades — ambas seguem investindo para garantir rapidez e eficiência no atendimento ao consumidor final”, aponta André Romano.
Em ritmo cadenciado
Para 2026, a expectativa é de manutenção do ritmo observado em 2025, com novas entregas e absorção de condomínios logísticos em diversas regiões do Brasil. A combinação entre demanda estrutural, expansão do e-commerce, reorganização das cadeias produtivas e estratégias de regionalização deve sustentar o bom desempenho do setor.
“Mesmo com a continuidade das entregas, a tendência é de um mercado ativo, com bom volume de negociações e vacância em níveis saudáveis”, afirma Picerni.“O mercado de galpões logísticos no Brasil segue demonstrando maturidade, com decisões de investimento e ocupação cada vez mais estratégicas e alinhadas ao longo prazo”, conclui André Romano.