Colaboradores aceitam o trabalho híbrido, mas querem melhores escritórios
A JLL divulgou as principais conclusões do “Workforce Preference Barometer 2026”, que mostram que o sucesso do trabalho híbrido em Portugal já não depende tanto das políticas de presença, mas sim da qualidade da experiência proporcionada pelos espaços de trabalho. A deslocação ao escritório deixou de ser encarada como uma obrigação e passou a exigir uma proposta de valor clara, assente em bem‑estar, conveniência e diferenciação do ambiente físico.
Segundo Andreia Almeida, Head of Research da JLL Portugal, “os colaboradores portugueses estão disponíveis para ir ao escritório – desde que isso melhore o seu dia a dia. Flexibilidade, equilíbrio e uma experiência de trabalho cuidada deixaram de ser benefícios adicionais e tornaram‑se elementos essenciais para atrair, motivar e reter talento em Portugal”. A responsável destaca ainda que o país acompanha a maturidade dos mercados europeus, mas evidencia exigências muito claras: “Melhorar a experiência no escritório, reforçar as condições de bem‑estar e investir em verdadeira flexibilização são hoje prioridades estratégicas. As empresas que o fizerem estarão mais bem posicionadas num mercado de talento altamente competitivo, onde o imobiliário assume um papel decisivo”.
De acordo com este estudo, numa realidade alinhada com a Europa, 65% dos trabalhadores portugueses estão abrangidos por políticas estruturadas de presença, sendo que a maioria destes (mais de 40%) trabalha já cinco dias por semana no escritório. A aceitação destas políticas é relativamente elevada, com 65% dos inquiridos a expressarem um sentimento positivo, mas esta aceitação está cada vez mais condicionada pela qualidade da experiência no local de trabalho, onde os fatores imobiliários especialmente relacionados com a localização e valências da zona envolvente assumem crescente importância. Assim, metade dos inquiridos em Portugal – um em cada dois - acredita que a sua experiência no escritório poderia melhorar, apontando como aspetos menos satisfatórios relacionados com a localização do seu escritório, a qualidade ambiental da zona envolvente, a identidade do bairro em que se insere, bem como as valências e serviços que este oferece. Tal como no resto da Europa, a segurança da zona e a sua boa conectividade em termos de mobilidade continuam a ser os aspetos mais valorizados.
Relativamente aos atuais espaços de trabalho, e quando comparado com as médias europeias e globais, Portugal fica sistematicamente atrás em quase todas as dimensões da experiência de escritório. A única exceção é o apoio ao trabalho de concentração, onde os colaboradores portugueses se mostram mais satisfeitos do que a média europeia. Os aspetos mais desafiantes são a oferta de espaços que inspirem criatividade, áreas de bem-estar e locais para receber clientes.
Benefícios e prioridades: mobilidade e bem-estar no topo
O estudo identifica ainda os serviços disponíveis no escritório que são mais valorizados pelos colaboradores. Em Portugal, a prioridade recai sobre a capacidade de deslocação, sendo o transporte gratuito ou subsidiado o benefício mais desejado. Seguem-se serviços ligados à saúde e alimentação, refletindo uma crescente preocupação com o bem-estar.
O equilíbrio entre a vida profissional e pessoal assume, assim, um papel cada vez mais central. Para 71% dos colaboradores em Portugal, este é o fator determinante na escolha e permanência numa empresa, ultrapassando mesmo a remuneração, que é prioritária para 64%.
Persistem desafios no trabalho híbrido
Apesar da ampla adoção do trabalho híbrido, persistem níveis relevantes de insatisfação. De facto, ainda que a maioria das pessoas tenha acesso a este modelo, 58% gostaria de ter horários mais flexíveis, algo que apenas 42% afirma ter atualmente, comprovando a crescente valorização da gestão do tempo. Além disso, 35% dos inquiridos manifesta ter um sentimento negativo com a obrigatoriedade de dias fixos no escritório, apontando como principal motivo de insatisfação o impacto negativo na sua qualidade de vida.
Risco de burnout influencia retenção
O bem-estar surge, assim, como um fator crítico na retenção de talento. O estudo indica que o risco de burnout é uma preocupação crescente e um motivo relevante para a intenção de saída de uma empresa. A nível global, 57% dos colaboradores que pensaram em despedir-se apontaram o burnout como uma das razões. Ainda assim, a procura por melhores condições salariais continua a ser o principal motivo de mudança.
Sobre o papel do imobiliário no futuro do trabalho, Sofia Tavares, Head of Leasing Advisory da JLL, sublinha que “num contexto de estabilização do modelo híbrido, as empresas que investirem no escritório ideal, desde o edifício à localização, passando pelos serviços e pela conectividade, estarão mais bem preparadas para atrair talento e sustentar políticas de presença. A qualidade do escritório deixou de ser apenas uma infraestrutura operacional e passou a ser parte integrante da proposta de valor das organizações”.
A responsável reforça ainda que “os dados revelam que os portugueses estão disponíveis para regressar ao escritório, mas apenas quando isso faz sentido e melhora o seu dia a dia. O mercado imobiliário tem aqui uma oportunidade clara: criar espaços que respondam às necessidades funcionais, mas que também inspirem, promovam bem-estar e reforcem a cultura organizacional. Com uma força de trabalho mais exigente e uma valorização crescente da experiência no escritório, entramos num novo ciclo do mercado corporativo, em que o foco passa definitivamente do espaço enquanto infraestrutura para o espaço enquanto experiência.”
O “Workforce Preference Barometer 2025” contou com 8.700 inquiridos em 31 países, incluindo mais de 150 em Portugal. No contexto nacional, 74% pertencem ao setor privado e 26% ao setor público. As áreas tecnológicas representam a maior fatia (18%), seguidas pelos serviços financeiros, banca e seguros (8%), com participação também de setores como consumo, energia, logística, automóvel, telecomunicações, transportes, saúde, educação e indústria. Lisboa concentra 56% dos inquiridos, seguida do Porto (29%), e cerca de metade dos participantes encontra-se na faixa dos 30 aos 50 anos.
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